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quinta-feira, 3 de março de 2016

Chegando na festa

Casei - Parte VIII

Nossa, eu não sabia que estava com tanta fome!
Dentro do quarto dos noivos havia uma mesa redonda e decorada como a mesa dos convidados. Fomos rapidamente servidos com refrigerante, água, sucos e cerveja. Logo vieram as comidas, seguindo a apresentação do cardápio: entradas, saladas, massas... Sempre duas porções de cada. No início comia tudo, depois, quando vieram as mini porções do jantar eu comecei a selecionar, já não cabia na barriga. E que delícia, meu Deus! Que vontade de comer aquilo tudo de novo!
Conversávamos enquanto comíamos e percebi caixas perto da parede de entrada. Vívian veio falar conosco, que estava tudo ok, nos passando os próximos acontecimentos e o roteiro. Perguntei como foi seguir o projeto para a decoração e ela disse que deu tudo certo, mas que eu havia alugado pratos e baixelas demais para por os docinhos (eram, então, aquelas caixas). Me mostrou também alguns presentes que foram entregues no salão, nos apresentou o garçon que estaria a nossa exclusiva disposição e que a hora que estivéssemos satisfeitos, iríamos para nossa sessão de fotos. Saímos do salão com a mesma rapidez com que entramos e encontramos alguns padrinhos que já aguardavam para as fotos.
E encontrei também meu pai. Fumando com minha madrasta. Ele estava..., acho que constrangido. Acho que por algumas coisas, por não esperar tanta coisa, por causa da cara de poucos amigos da minha madrasta (que acho que estava com um ciúme dos infernos e se sentindo ameaçada pela presença da minha mãe) e por estar se despedindo de mim. Dizendo que esperava que eu entendesse, mas que tinha que ir embora.
Ah essa altura da minha vida, depois de tanta coisa que passei com meu pai, entendia tudo, aceitava tudo. E eu estava tão feliz que pra mim estava tudo certo.
Alguém me chamou e as fotos começaram.
A cada casal de padrinhos, muitos abraços, muitos "Nossa, está tudo lindo!", "Felicidades!"
Michel e Bia estavam de nariz torcido com tanta foto posada. Depois as famosas fotos coletivas com todos os padrinhos e todas as madrinhas. Dê e eu ficamos de presentear nossos padrinhos com porta-retratos bonitos contendo essas fotos, mas até hoje não fizemos isso. Senti muito por não ter feito uma foto clássica com minhas Damas de Honra e nossos buquês...
Tudo bem orquestrado, Vívian organizou rápido a fila para a entrada no salão. Acho até que ela já havia combinado alguma coisa com os padrinhos, as damas... Sei que na fila, minha madrinha e minha cunhada ficaram me zoando: "Anarriê!"
Nos meus sonhos, cada casal entrava de cada vez, dançava um pouquinho e ia para seu lugar nos esperar chegar soltar a chuva de prata em nós quando entrássemos, mas o que aconteceu é que, quando a música "Do seu lado" do Jota Quest começou a tocar, todos entraram juntos, em fila, como numa quadrilha. Poxa!
Mas para ficar mais parecido com que sonhei, esperei com Dê alguns segundo antes (e ele nervoso, querendo entrar logo), e entramos no refrão. Todos de pé, batendo palma junto com a música, cantando, explodindo as chuvas de prata por sobre nós enquanto dançávamos e cantávamos bem alto "O amor é o calor que aquece a alma"!





quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Tendo um dia de noiva

(Neumann)

Aqueles momentos de espera dentro do carro são as lembranças de uma das minhas esperas mais doces... Meu Deus, como eu estava feliz naquele carro...
Um calor!
Mas uma felicidade!
Lembro que eu queria que meu irmão saísse logo do carro, lembro que a Gabi me trouxe água mineral de copinho e eu furei a tampa com o dedo. Lembro que ela me trouxe o condicionador de lábios pensando que era batom, mas que eu passei assim mesmo. Lembro do pai da minha daminha de Minas acenando pra mim e logo tantos parentes do Dê, todos acenando pra mim. Eu que sempre via as pessoas arrumadas para um casamento, até eu mesma, agora aquele casamento para onde estavam indo todos era o meu. Gente, era o meu... A decoração das flores eram minhas, aquilo tudo era para mim e pro Dê... Eu era a noiva que esperava na porta, como tantas vezes vi... Eu era aquela que faz todos se ajeitarem nos bancos quando alguém diz "A noiva chegou". Aquelas pessoas estavam ali pela gente... Nem sei dizer o que senti. Só sei que é algo que não vai acontecer nunca mais.
Vi uma van estacionar e dela saindo uma madrinha (minha prima) atrasada com o marido e mais um monte de gente correndo. E ali a explicação por eu não poder entrar ainda.
Lembro do meu pai no alto da escadaria da igreja e quase, por muito pouco, não comecei a chorar. Ele estava ali, meu pai. Que quase o perdi por duas vezes e que quase não veio ao meu casamento. Como eu segurei o choro quando disse "Obrigada, Deus!" Como ele estava bonito... Mas reparei que o terno dele havia sido alugado em uma loja ruim... Meu sogro apareceu ao lado dele e fiquei feliz porque havia conseguido se arrumar e estava todo elegante no terno novo.
O motorista puxou o carro e meu irmãozinho saiu.
Vi minha mãe nas escadarias olhando para mim com cara de apaixonada...
Vi minha afilhada e amigos no alto da escada da igreja. Achei o vestido dela muito "verão" para o momento e reparei que eles não entraram, é que o cortejo já estava sendo formado e eles chegaram atrasados. Fiquei gritando piadas para elas de dentro do carro, principalmente quando vi que só tinha 1 padre.
_Ainda bem que chamei dois! - ri
É, um deles passou correndo para ir embora... O casamento atrasou e ele ainda tinha que celebra outro em Caxias... Depois fiquei sabendo que nem nesse ele conseguiu chegar por conta de um engarrafamento na serra.
Minha chefe chegou e foi falar comigo no carro, disse pra ela que fiz minha maquiagem
_Arrasou! Mas heim..., _ e ela desviou o assunto (porque ela não conseguia não ser o centro das atenções nunca) para falar do marido que estava levando o carro para o conserto, por isso ela atrasou, mas logo se afastou porque o motorista estava puxando o carro para eu poder sair.
O cortejo se formou e um a um eu vi entrando na fila, enquanto que as músicas que escolhemos para cada um daqueles momentos começava a tocar. Uma pena que não vi o meu irmão entrar...
Lembro de quando vi o Dê. O amei muito ali e acho até que eu ia chorar. Ele não me viu. Estava nervoso de braços dados com os pais e entrou rápido, parou, falou algo para os pais e depois continuou mais devagar, como tinha que ser.
 E minhas damas adultas! Como a música ficou perfeita! Pareciam fadas. Vi minhas daminhas, lindas... com seus vestidinhos de bailarina causando inveja. E então a porta, aquela gigante, se fechou e eu soube que era a minha hora.

Vi meus pais descendo as escadas e indo até o carro.
A Vívian estava à porta, sorrindo. Escorreguei nervosa pelo banco e eu ia sair rápido quando ela disse, sorrindo, me regendo, para eu fazer tudo com calma, cada coisa de uma vez. Aí entendi, eram as fotos! Pus um pé de cada vez para fora e ela reparou nos meus sapatos
_Uau!
_Inspirados num Manolo B, tá? _rimos
Até que a Vívian deu espaço quando viu que eu não iria me enrolar no vestido e meus pais, minha mãe do lado direito e meu pai do esquerdo, me beijaram.
 E, como num parto, me conduziram para fora do carro.
Subi uns degraus da igreja sozinha, para fotos e ri a cada degrau que eu não tropeçava.
Na porta da igreja, eu pedi para meu pai, toda emocionada, descer meu véu. Dei um braço para cada um e suspirei. Vi a fresta da porta aberta e lá dentro meus amigos e família sorrindo para mim.
Como numa estreia, as cortinas se abrem e o show começa, as portas se abriram e minha vida começou.


quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Levando desaforo para casa e vestindo o pai da noiva

Na semana seguinte a compra do terno do meu sogro, empolgada por isso e pela gravata linda que comprei para meu pai (que era igual ao do meu sogro, parzinho de jarra), resolvi ligar para meu pai e falar sobre sua roupa para o casamento.
Não me lembro exatamente se foram vários telefonemas em algumas semanas ou se foi um só, mas para resumo da ópera e licença poética sobre minha própria vida, vou resumir a história:
Eu já havia falado com meu pai sobre seu traje, terno chumbo em lã fria, colete cinza, blusa branca e gravata prata escura. Mas ele entendeu tudo errado, ou nem prestou atenção (homens...) e depois fiquei sabendo que, seguindo o que eu disse, juntando informações tortas e a opinião da mocinha da loja de aluguel, estava todo prosa com seu meio fraque.
Oi?
_ Pai, você vai precisar trocar! Não é nada disso e ainda vai ficar muito diferente do pai do Dê.
_ Xi, fala aqui com a (mulher dele. Não é bom ficar falando o nome. Vai que se eu falar três vezes ela aparece!)
E ela atendeu o telefone soltando os cachorros.
Eu não sei exatamente o que ela disse porque tirei o telefone do ouvido e deixei ela berrando sozinha. Lembro só dela falando alguma coisa do tipo "que não ia se estressar com isso, que às vésperas ela ia ver e eu tava valorizando demais meu casamento"
Oi?
O casamento é meu e eu valorizo quanto eu quiser.
Comecei a ficar com medo de meu pai aparecer com aqueles ternos alugados com cetim e gravata franzidinha over.
Comecei a ficar com medo do meu pai nem aparecer.
Comecei a ficar com medo da que não pode ser nomeada aparecer no casamento e fazer escândalo por recalque. Porque ela é dessas.
Falei pra Vívian ficar de olho nela e reforçar a segurança.
E, fim da história, meu pai apareceu até do jeito que falei, elegante, mas.... E nem consegui dar a gravata de presente pra meu pai. Enfim, ficou tudo lindo.


Eu e Dê entre mamãe e papai

Eu e Dê entre minha nova mãe e meu novo pai


sábado, 23 de abril de 2011

Comunicando ao meu pai que vou casar

Acho que foi em outubro ou no início de novembro do ano passado, não sei bem, que subi a serra com meu irmão e minha cunhada, agora para Teresópolis, para visitar meu pai. Denis não foi, acho que estava trabalhando ou em reunião (só sobra os domingos para ele trabalhar em projetos da 3T e da Novo Formato, empresas dele -- merchan hehehehe).

Não sei se vocês sabem, mas os pais da noiva que vos fala são separados. Uma separação digna de novela de tão punk que foi, um dia escrevo um livro sobre isso. Resumidamente, ele se casou com uma das melhores amigas de minha mãe. Disso tudo vieram coisas boas, como sempre... Ju e Mari, filhas dela de outro casamento, que hoje são minhas irmãs, Isabela, minha sobrinha linda filha de Sandro, irmão (também filho de minha madrastra) que nos precede no paraíso desde 2008, vítima de um câncer. Mari será uma de minhas madrinhas de casamento. E ainda tem o Erick, caçula, adotado (looooonga história) que será meu pajem.
Cresci não contando com meu pai, não esperando coisa alguma dele, para não me decepcionar. Não que estivesse com qualquer tipo de rancor, pelo contrário, com essa história toda aprendi o verdadeiro sentido do perdão e aprendi a amar meu pai do jeito como ele é. Não tenho armas ou guarda em relação a ele, o amo de um jeito que permito que ele faça tudo de novo. Qualquer coisa que venha dele para mim é lucro, sem obrigação alguma dele cuidar de mim ou de me dar amor por ser meu pai. Mas como disse, não espero e nunca esperei nada dele.
Nos meus quinze anos ele foi na missa e se sentou no último banco da igreja. No dia da festa, me entregou um par de brincos de pérolas com ouro na porta da minha casa na hora que eu estava me arrumando. Todas as vezes que me acidentei gravemente ou quando meus avós maternos faleceram (e eles o amavam como filho) ele só me ligou. Mesmo indignas de um pai, essas pequenas atitudes me deixaram feliz e completa, porque eu sabia que era isso que ele podia me dar. Qualquer pouquinho vindo dele para mim é especial, não são migalhas, são pedaços de diamantes lapidados com muito esforço, porque eu sei o pai que tenho e sei ser filha dele. Sei o tamanho do amor dele, porque das duas vezes que ele quase morreu lutou pela vida por causa de seus filhos.

Talvez por isso contar para ele que eu vou me casar tenha sido tão difícil.

Passei o dia nervosa, pensando num texto, esperando uma oportunidade. Não tinha ainda nem a aliança no dedo como desculpa e nem estava lá com Denis, acho que o casal contanto para os pais que decidiram se casar é coisa mais fácil. Eu estava sozinha nisso. E de certa forma queria estar.
Em junho passado mostrara a aliança de compromisso para ele, sentados na soleira da porta de sua casa, e ele disse:
_Iiiiiiihh!!! Caramba! Já? _como assim, "Já?", são 10 anos de namoro!
_Calma, pai. É só a aliança de compromisso, mas vamos nos casar sim. Em breve...
Dessa vez não tinha nada pra mostrar, como eu ia tocar no assunto?
Meus irmão jogavam playstation na sala da tv, eu deitei no sofá da sala da lareira para ler (na verdade é tudo a mesma sala, mas com ambientes, móveis e níveis do piso diferentes) e meu pai sentou na cadeira-do-papai na minha frente. Era a hora.
_Pai, vou me casar.
Vi os olhos de meu pai brilhando e se enchendo de lágrimas, abriu um sorriso nervoso por não saber o que dizer ou fazer. Acho que ele percebeu o meu nervosismo. Ele agora era o pai da noiva. E eu não esperava que ele fosse incorporar esse papel tão rápido e com tanto entusiasmo! Danou a me perguntar sobre tudo, desde a minha escolha pelo Denis até se haveria torre de chocolates! Esse momento só não foi mais perfeito e nosso porque minha cunhada se juntou a nós e meus irmãos ouviam tudo (acho que o caçula estava mais interessado no jogo mesmo). Papai foi me sugerindo um monte de coisas, quis saber sobre o bolo, perguntou da bebida da festa... Como um dos meus assuntos preferidos é casamento (e o meu!), ficamos conversando um tempão (!), mas longe de mim pedir qualquer coisa pra ele.
_Mas filha, a bebida não está incluída no buffet?
_Em parte sim, mas só cerveja, água e refrigerante.
_Qual cerveja?
_Acho que é Skol.
_Ah, tá bom. Mas não tem wisky, vinho...? Vai estar frio...
_Não, não.
_E vai ter bar com caipirinha?
_Não sei, acho que não. Denis é de uma confraria de cerveja.... Se a gente fizer um bar será para servir outros tipos de cerveja.
_Sei... Mas tem como comprar outras bebidas e os garçons servirem, então?
_Tem, tem sim. A gente foi num evento em junho que tinha um fornecedor de bebidas, as vendia por consiguinação e as levava geladinhas e tal pra festa. Só escolher o tipo que eles levam a quantidade certa e já prontinhas.
_Que legal! E eles têm o que?
_Acho que tudo. Dê ficou vendo essa parte.
_Você disse que vai servir massa. Então, serve um vinho junto... E espumante a festa toda, nada de ser só na hora do brinde ou quando servir o bolo. É sua festa de casamento.
_Mas pai, espumante a festa toda fica caro...
_E põe também wisky na lista. Eu te dou a bebida. Pode deixar que papai paga.
Fiquei com vontade de gritar de alegria! Mas disse um "Ah pai, obrigada" emocionado.

Mas ainda faltava uma coisa... Dias antes minha mãe estava me enchendo a cabeça, dizendo que eu tinha que conversar com meu pai sobre meu casamento e também sobre os gastos, afinal eu também era filha dele e não era justo que ela arcasse com as despesas da festa sozinha (lembrando: ela disse quando comecei a ver as coisas "A mãe da noiva paga a festa"). Só que eu nunca pedi nada pra ele e não queria pedir agora. Quando contei pra ela, toda feliz, que ele havia se oferecido pra pagar a bebida, ela disse que ele não fazia mais que sua obrigação como pai. E dias depois, a cobrança por eu conversar sobre os gastos com ele continuou:
_Você quer que eu fale com ele?
_Quero... _eu disse encabulada.
Liguei pra ele: _Pai, minha mãe quer falar com você...
Detalhe: eles nunca se falam.
_Oi tudo bom? Então, nossa filha vai casar e a gente precisa conversar sobre isso.
Acho que ele ficou sem jeito pra caramba...
Sei que antes do natal fomos pra casa dele de novo e antes de irmos embora (também fiquei ensaiando isso o dia todo), eu disse:
_Pai, minha mãe quer falar com você sobre meu casamento....
Pra meu alívio, meu irmão me interrompeu, dizendo que já havia conversado sobre isso com ele, quando eu saíra de tarde com minha madrasta para comprar roupa, e que contava no carro. Meu pai, sem jeito, disse que me ajudava e que meu irmão conversaria comigo.
No carro (dessa vez fomos pra Terê só nós dois) ele me contou que papai não podia se encontrar com minha mãe, mesmo que pra conversar sobre mim, senão ele poderia ter problemas com a esposa e que, depois de tantas coisas que passaram, não podia se aborrecer por causa de sua saúde, criar problemas e tal, mas que não tinha cabimento minha mãe conversar comigo sobre gastos, que eu não tinha que ficar sem jeito já que ele era meu pai e que não fugiria de suas responsabilidades, que me ajudaria no que pudesse.
Ou seja, meu pai estava se prontificando a me ajudar. Só que na cabeça da minha mãe, se negar a conversar com ela era igual a se negar a ajudá-la a pagar o meu casamento.
Isso deu pano pra manga... Que culminou em algo desagradável no natal (que depois eu conto).